Há acontecimentos que, à primeira vista, cabem apenas nas páginas de esporte, mas que, olhados com atenção, revelam-se capítulos decisivos da economia de um Estado. A consolidação do Autódromo Internacional de Mato Grosso, no Parque Novo Mato Grosso, é um deles. Inaugurado em novembro de 2025, com a primeira e inédita prova noturna da Stock Car, foi extremamente elogiado por nomes como Felipe Massa e Cacá Bueno, que pontuaram como um espaço "de primeiro mundo", fazendo com que o circuito de 4,45 quilômetros e treze curvas deixasse de ser promessa para se tornar realidade. E é esta realidade que movimenta dinheiro, gera trabalho e projeta o nome de Mato Grosso a nível nacional e internacional.
É preciso dizer com clareza: quando categorias como Stock Car Pro Series, TCR South America, NASCAR Brasil, Copa Truck e Fórmula Truck escolhem Cuiabá como destino, o que chega não é apenas um espetáculo de velocidade do esporte. Chega uma cadeia econômica inteira. Cada etapa mobiliza equipes, patrocinadores, fornecedores, imprensa, turistas e investidores, deixando nossa cidade movimentada em hotéis, restaurantes, mercados, além dos gastos operacionais, gerando negócios no território mato-grossense.
Um grande evento automobilístico é, na prática, uma economia temporária de alta densidade instalada sobre a economia permanente da cidade.
Os efeitos aparecem primeiro onde é visível e a conta é mais fácil de fazer. Os hotéis lotam e esticam diárias; os restaurantes e bares vivem seus melhores fins de semana do ano; o comércio aquece; os postos de combustíveis vendem mais; as locadoras esgotam frotas; e o transporte por aplicativo trabalha em ritmo dobrado. Logo atrás vêm os empregos: montagem de estruturas, segurança, limpeza, alimentação, logística, construção civil, produção de eventos e uma legião de prestadores de serviço que encontram, nesses períodos, renda concreta. São vagas diretas e indiretas, formais e temporárias, que aquecem o bolso de milhares de famílias e fazem o dinheiro circular no comércio local.
É importante desmistificar a ideia de que o Parque Novo Mato Grosso é apenas o que gasta durante a corrida, que na prática seria enxergar apenas a ponta do iceberg. A realidade e o impacto mais valioso é o que fica.
A cada transmissão nacional, empresas de todo o Brasil passam a conhecer Mato Grosso como um ambiente organizado, moderno e favorável a investimentos. Aliás, o automobilismo, por sua própria natureza, cria um ambiente de networking difícil de reproduzir em qualquer outro cenário: nos camarotes, nos boxes e nas áreas empresariais circulam, lado a lado, empresários, investidores, patrocinadores, fornecedores, startups, indústrias, concessionárias, distribuidores e representantes comerciais. É relacionamento institucional acontecendo em estado puro.
Não se trata de otimismo ingênuo, e sim de um modelo já testado no mundo. Grandes autódromos não são lembrados apenas pelas ultrapassagens. Silverstone, na Inglaterra, ancora um polo de tecnologia e engenharia de ponta; Yas Marina, em Abu Dhabi, articula turismo, entretenimento e negócios; Interlagos, em São Paulo, injeta centenas de milhões na economia da cidade a cada Grande Prêmio. As estruturas do automobilismo são reconhecidas como centros de negócios, inovação, turismo e desenvolvimento, e não apenas palcos de competição. É exatamente esse caminho que se abre para Cuiabá e Mato Grosso.
O Estado reúne condições raras para trilhá-lo. É o coração do agronegócio brasileiro, tem localização estratégica no centro do continente, infraestrutura em expansão e uma classe empresarial pujante.
Dito isso, fica mais fácil entender que o Autódromo Internacional integrado a um parque de multieventos traz para o Estado um caminho, sem volta, da consolidação de um verdadeiro hub nacional e internacional de negócios, lazer, inovação, turismo corporativo e relacionamento empresarial.
Otimista com esta nova realidade, digo que o Parque Novo Mato Grosso já vem se firmando como o grande ponto de encontro do agro, da indústria e dos serviços, um lugar onde feiras, convenções, lançamentos e rodadas de negócios, a partir de agora, encontra uma estrutura à altura.
Todo esse contexto demonstra um dividendo que não aparece de imediato no caixa, mas vale ouro: a MARCA MATO GROSSO. A exposição nacional das categorias do automobilismo leva o nome do Estado a milhões de espectadores, investidores e turistas, dentro e fora do país. Essa visibilidade fortalece a imagem de Mato Grosso como destino de investimentos, de turismo e de oportunidades econômicas. E, ao contrário de uma campanha publicitária que se encerra, essa reputação se acumula a cada evento, ano após ano.
Por fim, é o empreendedor local quem colhe frutos duradouros. Eventos dessa magnitude abrem espaço para pequenas e médias empresas, do fornecedor de alimentação à agência de eventos, da transportadora à startup de tecnologia, fortalecendo todo o ecossistema empresarial mato-grossense. É o tipo de estímulo que não apenas gera receita pontual, mas ensina, qualifica e conecta o empresariado da terra a um circuito muito maior.
O Parque Novo Mato Grosso não deve ser lido como uma despesa esportiva, e sim como um investimento estratégico de retorno permanente. Os holofotes se apagam ao fim de cada prova, mas os negócios gerados, os empregos criados, os contatos firmados e a reputação conquistada permanecem. Mato Grosso acelerou. Cabe a nós, agora, manter o pé no acelerador.